terça-feira, 11 de novembro de 2014

Ato de Ler

          “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, afirmou Paulo Freire na obra intitulada "A Importância do Ato de Ler" (1988). Com essa afirmação, Freire revela que o mundo que se movimenta para o sujeito em seu contexto pode ser diferente do mundo da escolarização. Dessa forma, a leitura das palavras na escolarização, ou de sua escrita, de nada implicaria na leitura da realidade.
Freire se preocupava com os “textos”, as “palavras” e as “letras” daquele contexto em que a percepção era experimentada pelo aluno. E notou que quanto mais “codificava” a leitura dessa realidade, mais aumentava a capacidade do indivíduo de perceber e aprender. O que resultava em uma série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão acontecia por meio da relação com o concreto e com os pares.
          Esse processo de leitura organizado por Freire, denominado como o “ato de ler”, busca a percepção crítica, a interpretação e a “reescrita” do lido pelo indivíduo. Tal abordagem nos mostra que, o que antes era tratado e realizado de forma autoritária, agora é concebido como “ato de conhecimento”.
          O papel do educador nessa proposta é de suma importância, bem como a coerência entre o que o educador proclama e sua prática. Pois “não é o discurso que ajuíza a prática, mas a prática que ajuíza o discurso”, afirma Freire.“Educar e ser educado pelos educandos” também é uma perspectiva freireana. Essa corrente revelou que uma visão da educação está na intimidade das consciências dos envolvidos e é movida pela bondade dos corações. E, já que a educação pode modelar as almas, também pode alavancar as mudanças sociais.
          Contudo, podemos observar os desafios do texto sem contexto, e dos esforços que levam ao sentido de uma correta compreensão do que é a palavra escrita, a linguagem, as relações com o contexto de quem fala, de quem lê e escreve e, portanto, da relação entre “leitura” do mundo e leitura da palavra.

Eliane da Costa Bruini
Colaboradora Brasil Escola
Graduada em Pedagogia
Pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo - UNISAL

Disponível em: <http://educador.brasilescola.com/trabalho-docente/ato-ler.htm>
Acesso em : 2 Nov. 2014.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

CURISOSIDADE


Ler para cães inspira confiança de crianças tímidas

Em uma biblioteca da Estônia, as crianças leem em voz alta para os cães, uma ideia que incentiva a leitura e fortalece sua confiança em si mesmas.
"Para as crianças que têm problemas com a leitura ou que não têm confiança em si mesmas, não há terapia melhor que praticar a leitura em voz alta para um cachorro", explica à AFP Ewa Roots, responsável por este projeto educacional.
             Tentel, o galgo afegão, Elli, o golden retriever, e Leero, o terra-nova, levantam as orelhas e olham fixamente para as crianças que leem para eles nesta biblioteca da cidade de Tartu (leste) durante uma destas sessões mensais.
"Os cachorros são ouvintes tranquilos e, diferentemente de outras crianças ou dos adultos, nunca farão críticas quando uma criança cometer erros na leitura", declarou Ewa Roots.
"As sessões de leitura com os cachorros ajudam as crianças a ter mais confiança em si mesmas e a se expressar mais livremente", acrescentou.
           Este projeto educacional inovador, lançado em fevereiro, é gratuito e está aberto a todas as crianças que quiserem participar.
             Muitas têm entre cinco e seis anos, mas também há crianças de dez. Os organizadores deste projeto as encorajam a participar de oito a dez sessões de leitura de meia hora com seus novos amigos de quatro patas.


Disponível em: http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/2014/02/ler-para-caes-inspira-confianca-de-criancas-timidas.shtml

Acesso em: 20 de out. 2014.

7 Benefícios da leitura para crianças que você deveria conhecer

1- Desenvolve  a linguagem, tanto oral quanto escrita
Se a criança é habituada a ouvir histórias desde pequena, acostuma-se com a pronúncia e o uso correto das palavras. À medida que vai adquirindo seu primeiro vocabulário, há um reconhecimento das palavras e uma maior facilidade na aplicação das mesmas. E quando a criança já é capaz de ler sozinha, o contato constante com tramas diferentes diversifica o vocabulário existente e ajuda na fixação da escrita – pois estudos já mostraram que o aprendizado da ortografia é visual, aprendemos mais facilmente a escrever as palavras que estamos acostumados a ver escritas.
2 – Estimula a capacidade de converter palavras em ideias               
Ao envolver-se com uma história, a criança é capaz de imaginar o que está sendo narrado e mergulhar em situações que não conhece de fato. Há um aprimoramento da capacidade de abstração, da elaboração de ideias a partir de circunstância concretas e, por consequência, da sua capacidade de estabelecer analogias e comparações com outras situações ou histórias.
3 – Favorece experimentar sensações que irão formar um reservatório de emoções
Seja ouvindo a história na voz dos pais ou lendo por si mesma, a criança é capaz  de mergulhar nos acontecimentos e vivenciá-los, por mais fantasiosos que sejam. Ao solidarizar-se com o sofrimento da princesa maltratada pela madrasta ou comemorar o beijo que ela recebe, ao final, do príncipe, o pequeno leitor está experimentando sensações muitas vezes novas para ele. Mesmo que ainda não saiba nomeá-las, elas passam a fazer parte do seu reservatório de emoções e serão acessadas novamente em uma outra história ou mesmo em algum episódio da vida real.
4 – Ajuda a lidar com as dificuldades do dia a dia
Rivalidade entre irmãos, inveja, medo. Projetando-se nos personagens, a criança sente-se aliviada por poder sentir raiva da bruxa malvada ou medo do lobo mau, e é capaz de extravasar sentimentos reprimidos. As histórias ajudam a elaborar os sentimentos negativos, como vingança e rejeição. Ao festejar a morte de determinados personagens arquetípicos do mau, está aprendendo a vencer seus medos  e a vivenciar os sentimentos que as angustiam. Trabalha, também, o conceito de finitude, já que nos livros tudo tem começo, meio e fim.
5 – Aguça a curiosidade, o interesse em conhecer novos mundos e novos livros
É comum que a criança conviva com outras crianças, e mesmo adultos, muito semelhantes em várias esferas da sua vida. Aspectos culturais, nível de educação, classe social e econômica, interesses, tudo muito parecido acaba oferecendo um cenário de estagnação e, na maioria das vezes, uma falsa percepção da realidade. Ao experimentar histórias que falam de outros povos, outros costumes, outros gostos, o leitor amplia a sua visão de mundo para perceber que o mundo é feito de diferenças, e não de igualdades. Essa percepção é levada para além dos livros, sendo capaz de despertar o interesse de conhecer, de fato, outras realidades.
6 – Estimula a criatividade
É comum ensinarmos as crianças a realizarem tarefas, ou desenvolverem  comportamentos, de acordo com os padrões a que estamos acostumados. A leitura propicia o contato com novas formas de pensamento, e também de resolução de problemas. Confrontada com formas diferentes de agir, a criança é levada a perceber que ela pode inovar, sair do lugar comum. Se um determinado personagem trouxe uma nova solução para a história, o leitor é estimulado a ele também encontrar maneiras criativas de fazer a mesma coisa.
7 – A leitura compartilhada fortalece os laços entre pais e filhos
Quando pequenas, as crianças precisam que um adulto leia as histórias para elas. Esse é uma oportunidade de fortalecer os laços da família. Ao juntarem-se para um momento de prazer, pais e filhos compartilham emoções que se estenderão para além do livro. Ler para o filho é um ato de carinho.  Ainda mais na correria dos dias atuais, quando muitas famílias sequer conseguem um momento em que estejam todos reunidos. A entonação na voz dos pais é capaz de transmitir as mais diversas sensações, estimulando, encorajando e dando confiança para os pequenos. Por isso, o bom mesmo é começar desde cedo.

O que é literatura? Breve história

Descobrir, explorar, aprender...E criar novos mundos, novas realidades: o céu não é o limite para aquele que lê!
     Embora tenhamos informações em excesso a cada vez que “surfamos” no mundo virtual, a literatura apresenta a crianças, jovens e adultos um horizonte infinito em histórias, romances, poemas, contos, e muito mais.
       Mas… o que é mesmo literatura? A palavra literatura vem do latim “litteris” que significa “letra”, que também quer dizer “escritos, cartas” e parece referir-se, primordialmente, à palavra escrita ou impressa. Em latim, literatura significa uma instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem e se relaciona com as artes da gramática, da retórica e da poética. Segundo o crítico e historiador literário José Veríssimo, várias são as acepções do termo literatura: conjunto da produção intelectual humana escrita; conjunto de obras literárias; conjunto das obras sobre um dado assunto, ao que chamamos bibliografia de um assunto ou matéria; boas letras; e uma variedade de Arte, a arte literária.
         No Brasil, o movimento literário teve início já na época da Colonização. Principalmente representada pelo padre José de Anchieta, essa fase inicial foi chamada de Quinhentismo. O Padre José de Anchieta se destacou por seus  poemas, autos, sermões cartas e hinos. O objetivo principal dessa produção era a catequese dos índios. Confira aqui (http://www.suapesquisa.com/literaturabrasil/) uma síntese sobre todos os períodos literários pelos quais o Brasil passou, que foi influenciada por fatos como a chegada da família real ao Brasil e a Semana de Arte Moderna.
        No final do século XVII foram escritos os primeiros livros destinados a crianças. No entanto, eles não podem ser ainda considerados literatura. Eles são escritos por professores e sua função consistia em ensinar valores, hábitos e ajudar a enfrentar a realidade social. Em outras palavras, eles propiciavam uma leitura utilitária, não uma leitura per se, como ocorre com a literatura. Nessa época, a criança era considerada um adulto em miniatura, que participava da vida adulta, inclusive tomando contato com sua literatura.
       Foi somente no século XVIII que o conceito de criança começou a mudar. A criança passou a ser considerada como criança e um tipo específico de literatura foi desenvolvido para ela. Esse tipo de literatura foi denominada literatura infantil. Antes daquela época, as crianças da nobreza liam os grandes clássicos e as crianças das classes populares liam lendas e contos folclóricos. Com o passar do tempo, esses clássicos sofreram adaptações e os contos folclóricos inspiraram os contos de fadas. Vejamos alguns exemplos de autores e obras de literatura infantil:
Perrault: “Chapeuzinho Vermelho”, “A Bela Adormecida”, “O Barba Azul”, “O Gato de Botas”, “Pequeno Polegar”, etc.
Irmãos Grimm: “A gata borralheira” (que de tão famosa recebeu mais de 300 versões pelo mundo afora), “Branca de Neve”, “Os Músicos de Bremen”, “João e Maria”, etc.
Andersen: “O Patinho Feio”
Charles Dickens: “Oliver Twist”, “David Copperfield”
La Fontaine: “O Lobo e o Cordeiro”
Esopo: “A lebre e a tartaruga”, “O lobo e a cegonha”, “O leão apaixonado”

          A literatura infantil chegou ao Brasil no final do século XIX. Carlos Jansen e Alberto Figueiredo Pimentel foram os primeiros brasileiros a se preocuparem com a literatura infantil no país. Com Thales de Andrade, em 1917, aliteratura infantil nacional teve início. Outras obras são as obras deCarlos Jansen (“Contos seletos das mil e uma noites”), Figueiredo Pimentel (“Contos da Carochinha”), Coelho Neto, Olavo Bilac e Tales de Andrade. E foi em 1921 que Monteiro Lobato estreou com “Narizinho Arrebitado”, apresentando ao mundo Emília, a mais moderna e encantadora fada humanizada (Extraído de http://www.sitedeliteratura.com/infantil.htm ehttp://www.infoescola.com/literatura/literatura-infantil/). Algumas de suas principais obras são Urupês, Sítio do Pica-pau Amarelo, Reinações de Narizinho, O Minotauro, Negrinha e Cidades Mortas. Confira abaixo vídeos do Sítio do Pica-pau Amarelo: Outros famosos autores brasileiros de literatura infantil são Ziraldo com “O Menino Maluquinho”, “A bonequinha de pano”, “Este mundo é uma bola”. Há ainda Ana Maria Machado, com “A Grande Aventura de Maria Fumaça”, “A Velhinha Maluquete”, “O Natal de Manuel”. Muitas obras consideradas adultas foram adotadas pelo público infantil (“As aventuras de Robson Crusoé” – deDaniel Defoe, “Viagens de Gulliver” – de Jonathan Swift e “Platero e Eu” – de Juan Ramón Jiménez). Veja esse vídeo sobre o Menino Maluquinho: